O documentário A carne é Fraca, criado pelo Instituto Nina Rosa, faz referências sobre a forma com que são tratados os animais de produção até o momento do abate e defende o vegetarianismo como forma de vida mais saudável e como forma de respeitar o bem estar animal. Relaciona também o ato de comer carne com os impactos ambientais causados, como a quantidade de água utilizada e a quantidade de área necessária para a criação animal, devastando áreas como o cerrado e a catinga e tornando-os verdadeiros desertos. Porém, o documentário se torna tendencioso por pender apenas para um ponto de vista, defendendo que a solução para tudo é abdicar definitivamente do ato de comer carne. Concordo em parte com os documentários do instituto, mas aqui vai um segundo ponto de vista sobre o assunto.
Se toda a população humana se tornasse vegetariana também haveria sérios problemas, a produção também aumentaria, áreas com plantas e árvores que não fossem interessantes também seriam devastadas para o plantio de apenas um ou dois tipos de plantas produtivas, o que reduziria a biodiversidade. O documentário fala sobre o desmatamento da amazônia para a criação animal e defende a agricultura na região gerando empregos e renda, porém seu solo é pobre e seria vantajoso apenas por alguns anos. Relata que se extiguiria a fome no mundo se todos parassem de carne e a trocasse por alimentos vegetais, mas a quantidade de carne produzida no mundo é suficiente para alimentar toda a população humana. Então a solução correta seria um remanejamento político e econômico e uma reeducação social para torná-la acessível a todos, aplicando por exemplo um sistema eficaz de sustentabilidade.
A quantidade de agrotóxicos acumulados na carne animal e nos seus derivados é relatado também e o quanto isso faz mal para quem as consome, mas e a quantidade de agrotóxicos também utilizados nas plantações? E o grande impacto que isso também causa para os solos e rios? E os agravos a saúde de quem maneja esses agrotóxicos e quem se alimenta destes vegetais?
Muitos remédios e produtos domésticos antes de serem comercializados são testados de forma massiva nos animais, como os ácidos presentes em xampus e ainda assim as pessoas que defendem o direito dos animais continuam se medicando sem saber a procedência dos remédios e continuam usando seus produtos de higiene pessoal sem saber como foram testados.
A forma com que os animais são tratados é realmente abusiva, exploradora. Porém isso é conseqüência do nosso sistema capitalista. Talvez não seja nossa alimentação que precise mudar e sim, o tratamento que é despendido aos animais até o momento do seu abate. O primeiro argumento contra isso é que assim apenas se foge do sentimento de culpa pela vida deles, pode até ser verdade, mas o fato é que não há necessidade deste sentimento de culpa, afinal todos os outros animais carnívoros se alimentam uns dos outros e não os culpamos por isso. Sem mais, enquanto os vegetais forem considerados seres vivos pela ciência, também seria uma crueldade alimentar-se deles.
A solução seria o Homem tornar-se um ser autótrofo? Fotossintetizante talvez.
Ivisson Moraes

5:47 AM



4 Resposta para “A CARNE É FRACA - sob outra perspectiva”
22 Abril, 2010
adorei o texto...em parte é fruto de nossas intermináveis discussões...heheheheheheh
gostei bastante!!
Leo
23 Abril, 2010
É verdade, tá aí mais um tema que já gerou grandes (como sempre) debates entre nós dois, sempre construtivos inclusive. Obrigado pelo comentário Léo.
26 Abril, 2010
Vi esse documentário há alguns anos atrás e me tornei vegetariana no mesmo dia! kkkkkk! Mas o vegetarianismo não é simples como parece, na verdade, descobri que gastava muito mais ao tentar equilibrar minha alimentação sem as proteínas da carne... e acabei 10 kg mais gorda! kkkkkkk! O documentário é sensasionalista e alienado, mas é interessante pra nos fazer repensar nossa relação com os animais e os benefícios dos vegetais na alimentação. E a proposta de todos abolirem a carne do cardápio como caminho para um mundo melhor é absurda! Os problemas que a humanidade enfrenta são estruturais e não se resumem a comida.
27 Abril, 2010
Nossa Isis, adorei seu comentário. Na verdade ele serviu de complemento ao meu post e gostei da forma que você finalizou: "Os problemas que a humanidade enfrenta são estruturais e não se resumem a comida." JUSTAMENTE!!!
Postar um comentário
Compartilhe Seu Ponto de Vista!